Notícia: CRF-PR alerta para o perigo das Fake News e o uso indiscriminado de medicamentos durante a pandemia

Publicado em 03/05/2021

CRF-PR alerta para o perigo das Fake News e o uso indiscriminado de medicamentos durante a pandemia


CRF-PR alerta para o perigo das Fake News e o uso indiscriminado de medicamentos durante a pandemia

No dia 05 de maio, data em que se comemora o dia do Uso Racional de Medicamentos, CRF-PR faz campanha de conscientização

 

Um dos maiores desafios durante a pandemia é a desinformação. A cura milagrosa para a Covid-19, o uso de medicamentos para combater o vírus, teorias sobre como tudo começou: essas são apenas algumas das informações incorretas sobre a pandemia que têm chegado a milhões de pessoas todos os dias, na onda de disseminação das fake news. O perigo da desinformação e a ameaça que isso traz à saúde é tema da campanha promovida pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná (CRF-PR) pelo Dia do Uso Racional de Medicamentos, celebrado no dia 05 de maio.

Notícias relacionadas a medicamentos como o possível tratamento para a Covid-19 podem ter sido o motivo do aumento das vendas de medicamentos nas farmácias de todo o Brasil. Medicamentos como a hidroxicloroquina (antimalárico), a ivermectina e a nitazoxanida (antiparasitários) tiveram altas expressivas nas vendas em 2020.

O uso da Ivermectina, por exemplo, no tratamento contra a Covid-19 ganhou maior visibilidade após publicação de estudo in vitro, isto é, feito em laboratório e não aplicado em humanos, em abril de 2020. Essa pesquisa mostrou que o medicamento inibiu a replicação do SARS-CoV-2 in vitro quando aplicado em concentrações que seriam elevadas para uso em humanos.

De acordo com um levantamento feito pelo Conselho Federal de Farmácia, no caso da hidroxicloroquina, o total de vendas mais que dobrou no Brasil, passando de 963 mil em 2019 para 2 milhões de unidades em 2020, representando uma alta de 113%. Já a ivermectina, teve um aumento de 557% no total de vendas, de um ano ao outro. A nitazoxanida, que também foi citada como possível tratamento para a Covid-19, aumentou as vendas em 10%. As informações são do IQVI e do CFF.

No Paraná, a mesma pesquisa apontou o aumento do consumo de vitamina C (ácido ascórbico). De janeiro a março de 2020, o consumo aumentou 196% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Com a hidroxicloroquina não foi diferente: o aumento foi de 59% no mesmo período.

Esse aumento pode ter sido motivado pela pandemia. O uso da hidroxicloroquina e ivermectina, apesar de ser defendido por alguns governantes, não é unanimidade entre os médicos, e o seu consumo indiscriminado pode causar efeitos colaterais sérios. Mesmo com os riscos, diversas notícias falsas circulam pela internet, supostamente apresentando pessoas que foram totalmente curadas apenas por meio do uso dessas substâncias.

A presidente do CRF-PR, Dra. Mirian Ramos Fiorentin, ressaltou que neste momento de incertezas, a farmácia é o estabelecimento que está na linha de frente e tem uma responsabilidade crucial na proteção à saúde da população. “O uso indiscriminado de medicamentos pode trazer uma série de riscos ao paciente. Por isso, as farmácias tornaram-se parte indispensável ao Sistema Único de Saúde, já que elas são, muitas vezes, o primeiro contato do paciente”, afirmou.

O farmacêutico tem autonomia, e por isso, durante a venda, deve alertar sobre os riscos do uso de medicamentos off-label, mesmo quando o paciente tem uma receita médica em mãos. “O profissional que está ali no balcão da farmácia é autoridade no assunto. Ele é o especialista em medicamentos e está pronto para dar a orientação”, completou Fiorentin.

Fake News tem impacto direto no consumo de medicamentos

Segundo um estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) feito com conteúdos captados entre 17 de março e 10 de abril de 2020, revelou que 65% das fake news envolviam curas caseiras milagrosas (e não comprovadas pela ciência) para a Covid-19. Já 5,7% estão relacionadas a golpes bancários, 5% tratam de projetos falsos para arrecadar recursos destinados a instituições de pesquisa e 4,3% qualificam a doença como uma manobra política.

Para a presidente do CRF-PR, o motivo de tudo isso pode estar ligado ao medo da doença e a falta de informações sobre um vírus novo, o Sars-CoV-2. Esse cenário cria um terreno particularmente fértil para a disseminação de fake news. O compartilhamento de notícias falsas, porém, pode ter consequências jurídicas – além de ser bastante prejudicial à sociedade.

Uso racional de medicamentos

De acordo com o gerente técnico-científico do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, Jackson Rapkiewicz, a Organização Mundial da Saúde considera que há uso racional quando o paciente utiliza o medicamento adequado ao seu quadro clínico, nas doses apropriadas para ele, pelo tempo recomendado e ao menor custo. “Infelizmente estamos vendo muitas situações de uso não racional dos medicamentos na pandemia. Como consequência há reações adversas desnecessárias, intoxicações e desperdício de recursos”. 

Como se defender

Para evitar o compartilhamento de informações falsas, alguns cuidados são fundamentais. Primeiro, confira a fonte, data de publicação e busque pelo material na íntegra. Uma dica é procurar a notícia em outros sites de conteúdo e notícias. Após isso, só compartilhe o conteúdo após checar a veracidade das informações.



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